Eu nunca fui de ambicionar muitas coisas, e nem de precisar loucamente das coisas que um dia eu já quis. Mas eu queria que você soubesse, que eu preciso loucamente de você, do seu sorriso amarelo, das suas piadinhas que sempre pareceram tão idiotas, mas hoje me fazem tanta falta.
Eu preciso de você, porque apesar de você ter vários defeitos, eles se tornam perdoáveis quando você se transforma no garoto pelo qual eu me apaixonei.
Se você já assistiu “(500) Dias Com Ela” sabe do que estou falando. Vinte e cinco segundos. Eu contei. Vinte e cinco segundos podem representar sua ruína. É o tempo que dura aquela cena no elevador, quando Tom está escutando “There Is a Light That Never Goes Out” e ela, graciosamente chega perto diz “Eu amo os Smiths!” e ainda canta um trechinho da canção feito um gatinho doente, dançando com olhos e pescoços e franjas e todos aqueles quilômetros de lábios róseos feito morango em foto publicitária. Vinte e cinco segundos, cara. E você foi surrupiado de si mesmo e está fodido por uns cinco anos.
– Um filme norte-americano boboca. Sobre amor. Tinha a Anne Hathaway. Aquela coisa, garoto-encontra-garota e após algumas resistências e desencontros, eles ficam juntos no final. Só havia casais e eu na sessão.
Num instante você me olha apaixonado e depois se vira pra janela ficando um pouco fora do ar. Nessa hora me belisco pra não saber do porquê, sem esquecer do dia você me falou que nem toda pergunta requer uma resposta. Mas então não fica assim, não precisa dizer nada, só não me deixe faltar aqueles abraços silenciosos pra calar a boca de quem me mandou ter calma contigo. Agora que eu me perdi, só preciso de você me dizendo que amanhã ainda vou te achar no mesmo lugar, se eu procurar. Eu te quero, na medida do impossível.
Eu quero uma coisa constante, eu quero você comigo. Eu queria que esses meus dois quereres entrassem em acordo.
Nós dois parecemos um retrato mal-falado do que nunca poderia dar certo. Assim, evito olhar direto no seu rosto pra não dar aquela vontade insana de querer uma porção de coisas contigo, mas longe daqui, em algum lugar escondido dessa gente de papos que dão engulhos. Mas você é tímido. Então fico olhando, sei lá, na barra esgarçada das suas calças de brim, seus tênis bacanas, a camiseta no seu peito. E, sabe, o pessoal todo têm me achado cabisbaixa. Tudo bem, ando mesmo um pouco diferente e absurda, hoje adoro acordar cedo em segundas-feiras, cheia de ataques cardíacos.
Mas eu segui em frente, por mim e por nós dois. Comecei a fingir que você estava ali ainda, cozinhando alguma coisa no seu fogão bacana enquanto cantarolava Al Green e eu passava os 109 canais no seu sofá, com a cara de tédio que nasceu comigo. Eu até falo contigo, como se você fosse minha samambaia. Parece triste, mas ficou mais fácil e confortável assim. Ficou perfeito, na verdade. Porque você foi perfeito até onde soube responder meu chamado, e continuou perfeito nas minhas utopias.
Então, lá vamos nós, mais uma vez, seja o que for. Mas que pelo menos seja, dessa vez.